segunda-feira, 29 de setembro de 2014
terça-feira, 22 de abril de 2014
Carne, osso e solidão
Ainda que você soubesse de tudo, eu não saberia explicar o que esse tudo representa. Não sei como você teve a ousadia de invadir minha vida sem pedir licença ou dar qualquer sinal de que o faria. Nunca gostei de surpresas, principalmente aquelas que envolvem o coração. Sabe, por quê? Porque meu coração é burro. Ele não entende que apaixonar-se nem sempre é algo produtivo e benéfico. Oras, logo você que é tão estranhamente estranho e totalmente avesso às coisas que me norteiam...Todo sério, todo risonho, todo louco, todo certo, meio sorridente, meio agressivo... Você é agridoce...Ao mesmo tempo que adoça minha vida, também a azeda. Em meu sonho tens um lugar especial e traz ao meu peito e corpo uma calma que acarinha meus desejos por seus beijos. Mas na realidade tenho de conviver com seus "bons dias" azedos e cheios de mal humor e mesmo assim, durante a noite, você insiste em acarinhar-me em sonhos cada vez mais intensos e surreais. Não conseguiria falar a ti o que sinto, uma vez que nem eu entendo o compasso que tem regido o pulsar de meu coração, mas tenhas certeza meu querido novo amor, seus olhos me fazem bem e seus passeios pelos meus devaneios renovam-me a esperança de que ainda sou feita de carne e osso...
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Amor viniciano...
Sem que ele sequer soubesse tornou-se a fonte dos desejos dela. Ele era o cara por quem ela esperara há anos. Mas alguém já havia resolvido encontrá-lo antes dela, que dor sentia no peito ao lembrar daquilo! O pior é que ela conhecia a moça que enfeitiçara seu deus grego, sua perdição na Terra, embora tivesse a certeza de que ele seria a sua redenção, a sua salvação daquela vidinha chata e sem novidade com a qual convivia. Sempre quis e muito viver um grande amor, por isso amava os versos de Moraes com a "receita" para desfrutar de um, mas infelizmente tudo ficava só em sua mente e em seus sonhos... Pelo menos sonhar é permitido. Repetia para si os versos do poetinha "para viver um grande amor preciso é muita concentração e pouco siso, muita seriedade e pouco riso", mas como viver os versos imortais do poeta das paixões? Como? Como? Eram sempre as perguntas que tumultuavam sua cabeça cheia de dúvidas e com uma certeza: desejava aquele homem, o queria para si e mais ninguém...
Ele? Ele sequer sabia dos desejos mais loucos e ardentes que pulsavam no corpo e habitavam a mente dela. Quando a via, era muito simpático, mas do mesmo modo o fazia com as outras mulheres. Decidiu então ir à luta e vencer a peleja por ela criada. Fantasiou como seria o primeiro olhar de amor dos dois, seu corpo ficou todo arrepiado, todo ouriçado por aquilo. Vestiu-se todos os dias para causar nele o impacto que planejava em seus longos e deliciosos devaneios noturnos. Maquiava-se religiosamente de acordo com o que supunha que ele gostasse de ver em uma mulher. Coloria-se para ele, bordava-se para ele, vivia para ele.
E um dia abriu o livro do poetinha, ou melhor, do poetão que amava amar do mesmo modo como ela vivia o amor que julgava estar sendo vivido, e lendo seus versos de amores vividos, consumados e findados percebeu que algo estava errado em seu filme a la Wood Allen concebido e interpretado por ela há tanto tempo... Sentiu um nó na garganta e lágrimas escorreram-lhe pelo rosto sem que ela entendesse se aquilo era por amar ou por descobrir ter amado durante tanto tempo sozinha. Entristeceu-se e enlutou-se por aquele lindo amor ter chegado ao fim, ao menos pra ela havia acabado.
Quando o sol raiou e a despertou, ainda trôpega e meio atordoada por tanto chorar, resolveu caminhar, mas uma mensagem matinal a obrigou a se banhar, um amigo precisava com ela desabafar e quem sabe seria ele um bom ouvinte de seus problemas? Por que não falar pra ele que o amor lhe dera as costas e ingrato a abandonou?
Assim que o viu, achou estranho o seu olhar, mais estranho ainda era o livro que tinha em mãos "Para viver um grande amor". Sorriu. Caminhou e concluiu parafraseando seu poeta predileto "Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a(o) bem-amada (o) - para viver um grande amor."
Ele? Ele sequer sabia dos desejos mais loucos e ardentes que pulsavam no corpo e habitavam a mente dela. Quando a via, era muito simpático, mas do mesmo modo o fazia com as outras mulheres. Decidiu então ir à luta e vencer a peleja por ela criada. Fantasiou como seria o primeiro olhar de amor dos dois, seu corpo ficou todo arrepiado, todo ouriçado por aquilo. Vestiu-se todos os dias para causar nele o impacto que planejava em seus longos e deliciosos devaneios noturnos. Maquiava-se religiosamente de acordo com o que supunha que ele gostasse de ver em uma mulher. Coloria-se para ele, bordava-se para ele, vivia para ele.
E um dia abriu o livro do poetinha, ou melhor, do poetão que amava amar do mesmo modo como ela vivia o amor que julgava estar sendo vivido, e lendo seus versos de amores vividos, consumados e findados percebeu que algo estava errado em seu filme a la Wood Allen concebido e interpretado por ela há tanto tempo... Sentiu um nó na garganta e lágrimas escorreram-lhe pelo rosto sem que ela entendesse se aquilo era por amar ou por descobrir ter amado durante tanto tempo sozinha. Entristeceu-se e enlutou-se por aquele lindo amor ter chegado ao fim, ao menos pra ela havia acabado.
Quando o sol raiou e a despertou, ainda trôpega e meio atordoada por tanto chorar, resolveu caminhar, mas uma mensagem matinal a obrigou a se banhar, um amigo precisava com ela desabafar e quem sabe seria ele um bom ouvinte de seus problemas? Por que não falar pra ele que o amor lhe dera as costas e ingrato a abandonou?
Assim que o viu, achou estranho o seu olhar, mais estranho ainda era o livro que tinha em mãos "Para viver um grande amor". Sorriu. Caminhou e concluiu parafraseando seu poeta predileto "Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a(o) bem-amada (o) - para viver um grande amor."
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Curte, compartilha e...
Assim que seus olhos se abriram, suas mãos começaram a suar, um tremor invadiu suas pernas e tomou de assombro o seu coração. Há quanto tempo estava dormindo? Olhou no relógio, certificou-se que estava em sua casa, deitou-se novamente e ao fechar de seus olhos aquela estranha e insistente sensação retornara ao seu corpo. Percebeu que não poderia dormir novamente e muito menos voltar para aquele sonho que a trouxe de volta à vida. Sim, como pode um sonho ser capaz de despertar sensações e sentimentos há tempos adormecidos? "Acho que estou ficando louca", foi assim que desculpou-se por sentir-se tão viva em sua rotina rotineira e tão previsível. Como de costume, foi para o banho e lá ainda pôde de alguma forma saborear o sonho tão instigante que tivera.
Saiu e sentiu que precisava de mais tempo para chegar ao trabalho, já que queria poder desfrutar das imagens tão vivas que pipocavam e a acompanhavam desde que acordara. Parou no ponto de ônibus e esperou, sabe-se lá por quanto tempo ficou ali parada, ali calada, ali apaixonada. Sim, apaixonada por alguém que sequer sabia de sua existência. Assim ela pensava.
Atrasou-se, mas rejuvenesceu naquele caminho que fez. Ainda absorvida pelo que sonhara não suou frio ao ser recepcionada por seu chefe rispidamente. Foi para sua mesa, mas quis o destino ou o seu subconsciente que ela mudasse sua rota, quando viu estava no meio da sala de criação, onde ele, o criador de sua nova vida gesticulava com enorme paixão. Ouviu chamar seu nome e só ele tinha aquele timbre de voz. Sorriu e ele também. "No meio de tanta gente eu encontrei você", trilha sonora para seu contato visual... "Nossa! De onde saiu essa música?", a sua sonoplastia fora interrompida pelo convite "Vamos tomar uma cervejinha hoje?", "Nós?", "Sim, nós!". Corou-se e respondeu que sim, rapidamente voltou para a realidade de seu trabalho e entendeu que o "nós" era pra todos e não para eles dois. Mas animou-se, quem sabe?
Passou o dia todo pensando que deveria ter colocado uma roupa mais descolada, mais surpreendente, lembrou-se que não estava depilada, que sua sobrancelha estava horrorosa e olhou para suas mãos com o esmalte descascado. Era o fim! Ou melhor era a tragédia anunciada. Deu um jeito e saiu mais cedo. Foi ao shopping e deu um jeitinho em seu visual. Sentiu-se bem, sentiu-se viva, lembrou do sonho, ouviu a voz dele ecoando em seu corpo, arrepiou-se e amou-se!
Com certeza ninguém esperava que ela aparecesse tão diferente no happy hour, aliás felicidade era o que estava sentindo, tinha a certeza de que poderia concretizar o que seu subconsciente viveu. Novamente quis o destino que ela sentasse ao lado dele. A energia daquele homem era hipnotizadora e passou um tempo absorta em apenas olhá-lo. As cervejas foram deixando-na mais à vontade e alguns toques casuais ocorreram entre eles até que ela de lá levantou-se para no banheiro recuperar seu fôlego.
O tempo passou naquela mesa e ela cada vez mais encantava-se por ele. A voz dele reacendia cada vez mais seus desejos adormecidos. Os olhos tão vivos e tão misteriosos a seduziam cada vez mais. Iniciaram uma conversa mais íntima e mais animada. Ficaram só os dois, duas almas cheias de desejos similares, duas mentes compactuando cada vez mais os mesmos ideais.
"Disse sim, vou com você para sua casa!". Saíram e se perderam entre desejos, beijos e promessas. O dia raiou, mas ele não era o mesmo da noite anterior. Sério, calado, parecia até arrependido, monossilábico. "Não posso chegar com a mesma roupa de ontem no trabalho", "E eu não posso chegar com você". Mais nada falaram. Não se despediram. Se desligaram. Nunca mais se conectaram. Ela não chorou e muito menos se arrependeu. O tempo é de amores fugazes, vida editada para ser "feliz" no facebook. É isso, curtiram, compartilharam e desfizeram a amizade num clique... Simples assim...
Saiu e sentiu que precisava de mais tempo para chegar ao trabalho, já que queria poder desfrutar das imagens tão vivas que pipocavam e a acompanhavam desde que acordara. Parou no ponto de ônibus e esperou, sabe-se lá por quanto tempo ficou ali parada, ali calada, ali apaixonada. Sim, apaixonada por alguém que sequer sabia de sua existência. Assim ela pensava.
Atrasou-se, mas rejuvenesceu naquele caminho que fez. Ainda absorvida pelo que sonhara não suou frio ao ser recepcionada por seu chefe rispidamente. Foi para sua mesa, mas quis o destino ou o seu subconsciente que ela mudasse sua rota, quando viu estava no meio da sala de criação, onde ele, o criador de sua nova vida gesticulava com enorme paixão. Ouviu chamar seu nome e só ele tinha aquele timbre de voz. Sorriu e ele também. "No meio de tanta gente eu encontrei você", trilha sonora para seu contato visual... "Nossa! De onde saiu essa música?", a sua sonoplastia fora interrompida pelo convite "Vamos tomar uma cervejinha hoje?", "Nós?", "Sim, nós!". Corou-se e respondeu que sim, rapidamente voltou para a realidade de seu trabalho e entendeu que o "nós" era pra todos e não para eles dois. Mas animou-se, quem sabe?
Passou o dia todo pensando que deveria ter colocado uma roupa mais descolada, mais surpreendente, lembrou-se que não estava depilada, que sua sobrancelha estava horrorosa e olhou para suas mãos com o esmalte descascado. Era o fim! Ou melhor era a tragédia anunciada. Deu um jeito e saiu mais cedo. Foi ao shopping e deu um jeitinho em seu visual. Sentiu-se bem, sentiu-se viva, lembrou do sonho, ouviu a voz dele ecoando em seu corpo, arrepiou-se e amou-se!
Com certeza ninguém esperava que ela aparecesse tão diferente no happy hour, aliás felicidade era o que estava sentindo, tinha a certeza de que poderia concretizar o que seu subconsciente viveu. Novamente quis o destino que ela sentasse ao lado dele. A energia daquele homem era hipnotizadora e passou um tempo absorta em apenas olhá-lo. As cervejas foram deixando-na mais à vontade e alguns toques casuais ocorreram entre eles até que ela de lá levantou-se para no banheiro recuperar seu fôlego.
O tempo passou naquela mesa e ela cada vez mais encantava-se por ele. A voz dele reacendia cada vez mais seus desejos adormecidos. Os olhos tão vivos e tão misteriosos a seduziam cada vez mais. Iniciaram uma conversa mais íntima e mais animada. Ficaram só os dois, duas almas cheias de desejos similares, duas mentes compactuando cada vez mais os mesmos ideais.
"Disse sim, vou com você para sua casa!". Saíram e se perderam entre desejos, beijos e promessas. O dia raiou, mas ele não era o mesmo da noite anterior. Sério, calado, parecia até arrependido, monossilábico. "Não posso chegar com a mesma roupa de ontem no trabalho", "E eu não posso chegar com você". Mais nada falaram. Não se despediram. Se desligaram. Nunca mais se conectaram. Ela não chorou e muito menos se arrependeu. O tempo é de amores fugazes, vida editada para ser "feliz" no facebook. É isso, curtiram, compartilharam e desfizeram a amizade num clique... Simples assim...
sábado, 11 de janeiro de 2014
Como é difícil acordar com esse corpo e essa vida que não correspondem aos desejos da alma. O corpo é um reflexo da solidão do desejo que me encontro e a vida é vivida por outros tantos eus que eu mesma nem sei de quem se trata. Onde está meu eu no meio dessa loucura da qual tenho feito parte? A felicidade que vivo é latente assim como o desejo pulsante por tantas outras coisas... Que falta sinto de poder ter em minhas mãos o controle de meus sonhos, desejos e atos...
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Daqui deste momento, no instante em que o tempo passa mais rápido do que o relógio determina, sinto que esse não é o meu mundo. Invejo aqueles que conseguem fazer de seus ideais a sua bandeira de vida, a sua busca pela verdade! Como um marceneiro que constantemente quer construir a peça perfeita, assim sou eu em minha vida. A busca pela perfeição me move, mas também me machuca. Paradoxal busca que me movimenta e me paralisa! Porém essa paralisação tem me machucado...
terça-feira, 9 de abril de 2013
Há tempos seus sonhos adormeciam... Sono profundo como o da Bela Adormecida. Tão profundo que esqueceu-se de ser gente. Ela era qualquer coisa menos gente. Era o que queriam que ela fosse. Travestia-se da fantasia que quisessem, do jeito que desejassem. Passou um bom tempo realizando os desejos de outras pessoas... Um dia, olhou-se no espelho e não reconheceu mais aquele olhar, aquela boca, aquele rosto. Desfigurava-se frente a si mesma. Despiu-se. Olhou-se. Odiou-se. Não sabia mais amar-se, só tentava amar aos outros, mas no fundo queria ser amada! Como? Não sabia! Mas odiava-se! Aquele ódio aplacara seu ser e dava-lhe forças para recomeçar... Quando? Quando suas forças seriam seu mote?
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